
O cheiro envolve a sala, me desconcentra.Vejo meu pai, absorto e atabalhoado, fazendo nosso almoço. Quer me poupar; sabe que se tem algo que eu odeio nessa vida é cozinhar. Ou talvez apenas queira algo decente para comer. Acho que é um pouco dos dois, tipo "unir o útil ao agradável".Gosto dele. É legal. É meu pai. Vou sentir falta desse sujeito chato e ciumento. Vou sentir falta de tudo. Nem parti. Mas a sensação de adeus fica mais forte a cada dia. Como uma lagarta que se despede da terra, antes de se fechar no casulo. Depois disso, será o céu.Saboreio esse instante. Abaixo a cabeça, o riso vem. Lá de dentro ouço alguém me acompanhar, não estou me saindo muito bem né? Não pai, você está ótimo; só estou pensando num modo de me auto-clonar : vai ser preciso 3 Izabellas pra limpar tudo isso. Ele se vira, vem o sorriso. Já não me importo se vou ficar ou partir. Se vou perdê-lo ou não. Tenho esse sorriso comigo. Apenas esse sorriso. Não é necessário mais nada.

Adorei a ideia da campanha das melancias! ISUAIOSUAIOSUAIOUSIAUSIOAUSI :)
ResponderExcluir- Adorei o texto! E... um sorriso, as vezes, pode valer muito mais que palavras!
:*