terça-feira, 8 de setembro de 2009

Epitáfio

Primeiro, o impacto. Morreu. Depois, a dúvida . Morreu de quê? Como? Quando? Depois, o luto. Era uma ótima pessoa, não merecia morrer. Depois, a conformação. Está melhor do que nós, com certeza.
Não tem jeito, morte é morte. E é sempre igual.
As pessoas se resguardam, ficam de luto. Vão ao enterro tristes pela morte do ente querido, mas no fundo, a única coisa em que pensam é: Quando será a minha vez?
E quando tudo se acaba, resta apenas a certeza desesperada de que estamos aqui só de passagem.
Acabei de perder minha tia. Foi trabalhar as 7 da manhã e antes das 5 da tarde estará a 7 palmos do chão.
Olhando por essa ótica dá medo. Mas o fato é que a perdi, e a família está de luto. Fui correndo até a casa de minha avó, a procura da minha prima, afim de ver como estava, consolá-la, talvez, se fosse possível. Mas não estava. Minha avó chorava compulsivamente, minhas tias estavam amuadas pelos cantos da casa. Eu não era muito ligada a essa minha tia, que, a essa altura, deve estar sendo enterrada. Não estava abalada. Fui almoçar. Antes de voltar ao trabalho, fui com meu pai até o cemitério, para prestar as ultimas homenagens antes do enterro, já que me recusei de ir. Odeio essas cerimônias de partida. Mas enfim, ao entrar na alcova da falecida, tudo mudou. As cenas de minha tia dançando na reunião de familia, vieram á tona, e com elas várias outras imagens, cenas , situações felizes, em que ela se encontrava. Para mim, ela sempre foi uma coadjuvante. Mas hoje eu percebi que ninguém é coadjuvante na nossa história. Por mais que seja ínfima a participação daquela pessoa na sua vida, no momento em que ela entra, ela é parte dela. Não há coadjuvantes e atores principais. Somos todos iguais, bailando incessantes nessa inusitada e prazerosa peça que chamamos de vida, ora no palco, ora na produção, mas sempre juntos , buscando a felicidade em algum lugar ao sol.

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