
O celular vibra, toca, chama. Na tentativa inútil de desliga-lo sem me levantar derrubo ele e meu abajur. É, vou ter que levantar. Uma mensagem. Ual, eu recebi uma msg, muito obrigada. Da operadora, cadastrando seu celular pelo n° *104 por 10,90 ao mês, você ganha 100 minutos para falar nos finais de semana, mais 5 msgs por dia, aproveite! É, de quem mais poderia ser. Quem mais me mandaria uma msg às 4 da manhã? A operadora, é claro. E essa promoção. É óbvio que não me cadastrarei. Pra quê? Se eu só recebo msgs da operadora e meu celular só serve pra ouvir músicas?
Traduzindo, ngm me liga.E consequentemente, eu não ligo pra ngm. Suspiro. Isso não é um lamento. É um fato, que está sendo compartilhado. Suspiro. Agora eu não durmo mais, maravilha. Sento na cama, olho ao redor, livros jogados no chão, a cortina bege com alguns detalhes rosa, o computador desligado, o violão encostado na cadeira. Queria tocar um pouco. Ficaria melhor. Pelo menos me desligaria de tudo que me prende a esse corpo, a esse mundo. A música é minha passagem pra fora dessa casca, na qual me mantenho aprisionada. Mas agora são 4 da manhã, e eu acordei com uma msg da operadora. E estou triste. Se fosse outro dia, mandaria eles pro inferno e voltaria dormir. Mas hoje não, hoje não consigo. Minha cabeça está com muitas informações para triturar, não vou relaxar. Porque as pessoas são tão difíceis? Não, está muito clichê, além do quê, não está certa. Porque as pessoas são tão simplórias e eu tão complicada a ponto de não conseguir entende-las, acho que melhorou. A resposta não virá delas. E elas não teem culpa de eu ser como sou. A culpa é só minha. Pra começar, eu era uma pessoa. Não que agora eu não seja uma. Antes eu era uma pessoa normal, com desejos normais e gostos normais. Antes tudo era natural, espontâneo, como tem que ser. Mas eu mudei. Pra melhor, sim. Pra pior, sim. Pior pras pessoas. E talvez pra mim, pois preciso delas. A vida social é necessária a todo e qualquer ser humano globalizado desse sec XXI. Ele querendo ou não. Isso provavelmente irá para a Constitução.

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